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A cova do congro

Defensa da violencia

[O Estado]
Max Weber, en El político y el científico, define ó Estado como “aquela comunidade humana que, dentro de um determinado territorio -o territorio é elemento distintivo- reclama como exclusivo para sí, o monopolio da violencia física legítima [ ...] O estado é a única fonte de dereito á violencia”. Esta realidade, por máis que malsonante na expreçom, é indubidável. Um aparato legislativo nom crea um Estado sem o aparato ejecutivo que imponha as normas polas diferentes vías da violencia (educativa, funcionarial, policial, militar). No caso da democracia, no momento en que se lhe reconoce ó estado o monopolio da violencia legítima, a aspiraçom ao poder identifícase de forma clara coa aspiraçom a ejercer esa violencia. Chegamos así a umha realidade tamén innegável : a inclinaçom humana a ejercer a violencia. E nom falo de violencia gratuita, injustificada, falo de violencia necesaria, legítima -para a persoa- ainda que  poida ser deslegitimada -polo Estado-
[A loita]
Fai  um par de anos estiven en Ramallah, Palestina. Alí foi onde comprendín algo moi importante : umha declaraçom de dereitos humáns que nom contemple o dereito á loita nom vale nada. Está moi bem ter dereito á vida, á vivenda, ó propio territorio, á infancia. Pero sem o dereito a loitar por eles -isto é, se a loita se deslegitima de antemán- : qué pode um home fazer cando nom se lhe respetan eses outros dereitos? Se a um pobo com dereitos, nom se lhe respeta territorio, lingua ou relixión, qué significa ter dereitos? Nada. Se no momento en que loitar -única resposta que lhe deixan- para conquerir estes principios básicos convírteo em terrorista, qué lhe queda?. A súa violencia resulta ser nom legítima, fronte a violencia do estado -que neste caso é claramente o violador de dereitos básicos- Um ejemplo máis cercano : a constituçom espanhola reconhece o dereito ó trabalho e á vivenda. Pero se um parado sem teito -claramente umha víctima á que se lhe está roubando um dereito- se pom na porta do Congreso a berrar “Estafadores, mentirosos, incompententes“ sería detido pola policía, porque a violencia que exerce ao berrar nom é legítima, mentras que exercem sobor del sí que o é. Stirner -antes de Weber- dizía : “O estado chama lei á súa propia violencia, e crime á do individuo”
[O último recurso]
Este mundo tan civilizado em que vivemos, está a desterrar máis e máis o uso de qualquer tipo de violencia. Dende logo -insisto, por si acaso- nom estou a favor do uso da violencia indiscriminada, pero, insisto tamén, a violencia é o que nos queda cando nos atan a mans. “A violencia é o último recurso do incompetente”, dixera Asimov. Estóu de acordo na primeira parte de afirmaçom que a violencia é o último recurso, pero é, induvidávelmente, um recurso. Legítimo. Isto defendía Ortega, no prólogo de “La rebelión de las masas”, cando criticaba a postura dos pacifistas afirmando, umha e outra vez, que a loita, malia nom ser desejável, é um recurso inevitável -como, por outra parte, demostra a historia humana- É absurdo negar esta realidade, por máis que sone mal, e que esteja á contra da moda actual. Porque nom nos enganemos : ainda que en ningumha época o home gostóu da violencia -sobor de todo da exercida contra del- a violencia per se, nunca estivo -ata hoje- desacreditada. Todo o contrario. As historias de heróis populares -que agora fican relegadas á ficçom- sempre gozaron de gran predicamento.
[Violencia doméstica]
Preocúpame profundamente a desacreditaçom da violencia na sociedade actual. Dentro da campanha de eliminar do home a capacidade de julgar, e froito da manipulaçom e da demagogia informativa, a violencia legítima e justificada do individuo aparece contínuamente asociada e identificada com o vandalismo, os disturbios, a delincuencia, ou, simplemente, a poca educación. Sacada de contexto, qualquer acçom violenta é reprovável. Pero sucede que, tristemente, cada vez é máis difícil exercer a violencia de forma adecuada.
Hoje en día, a forte violencia que exercen sobor de nós, é aplicada a distancia, geralmente com intermediarios. De esta forma, a [re]acçom da persoa, tentando dirigir a súa rabia contra o responsável da afrenta nom atopa máis destinatario que a probe telefonista, o dependente precario, ou o funcionario de turno que “nom sabe”, “nom pode” ou “nom está o xefe”. A folha de reclamaçoms, a pataleta estéril, a carta ó director é o que nos queda, no canto da merecida hostia que debería levar o responsable da aerolínea, companhía telefónica, ou a aseguradora que nom responden.
[Sucedáneos]
Así, todos acumulamos rabia contida, violencia reprimida que remata explotando onde seja : no campo de fútbol, num atasco, na taquilha do metro, no trabalho, en casa. Sí : desproporcionadamente e fora de lugar.
Seguramente para compensar esta grave deficiencia e ajudar a baixar os nivéis de adrenalina e  testosterona, o mundo proporciona umha serie de inimigos virtuáis cós que um pode desfogarse asistindo a tertulias e manifestaçoms : o terrorismo, a pobreza, o lume, e a propia violencia. Así pretenden, ademáis, que nom nos fixemos nos opresores, os que provocan a pobreza, os beneficiados do lume, e os violentos de escura justificaçom.
[Colofón]
Conluíndo : á violencia sucédelhe o mesmo que aos fármacos, que o estado decide cándo é medicina e cándo é droga. Nom habendo ademáis, a priori, nada que permita distinguir umha de outra. A violencia, por sí, nom é nem boa nem mala. Depende de cada cas@. A superestructura da sociedade quere que despreciemos genéricamente a violencia, porque precisamente, o principal objectivo da violencia tem que ser esa superestructura.
[Excusa]
Pido desculpas por este post tam longo. Como dizía Pascal, nom tiven tempo para escrever um máis curto.

2 comentarios

O Congro -

É certo que qualquer cousa que se diga neste tema haina que dizer com muito coidado, por nom ser malinterpretado. Nom pretendo xustificar nemgumha violencia -tampouco desautorizala de antemán- senón denunciar o problema da desacreditaçom genérica desa violencia, a mala prensa que tem, e que se utiliza, geralmente, para descalificar reacçoms, violentas sí, pero legítimas.
No caso palentino, nom podo estar de acordo. Falamos de que o estado tem o monopolio da violencia \"legítima\". O adjetivo é fundamental, porque o monopolio da violencia nom o tem ninguém -se acaso algún estado ultra-policial- En Palestina, como noutros moitos países, a violencia escapa do control do estado, i é um síntoma -que nom causa- da súa debilidade. A afirmaçom de que Palestina nom tem estado por nom conseguir o control da violencia, paréceme desafortunada, i é precisamente o que Israel quere proxectar, e, dende logo, parécese pouco á situaçom real. Casualmente é o mesmo argumento que utiliza EEUU para permanecer en Irak.

eugeniote -

Sim e não... É verdade tudo o que se diz, sim, mas tenho os meus medos. Muitos dos meus antigos companheiros de militância subscreveriam ponto por ponto o que aqui se diz. Já ouvi muitas vezes aquilo de que \\\"a minha violência é inteligência\\\". E resultava curioso ver que o pensamento de um independentista galego (ou basco), evidentemente de esquerda, se achegava tanto ao de qualquer sócio da Associação do Rifle norte-americana. Muitos até chegavam a legitimar-se por meio de Nietzche, eles, que se autodenominavam marxistas.

O caso que citas de Palestina parece-me precisamente esclarecedor. Sem direito a lutas, não há direito nenhum. E, na mesma, não deixa de ser a própria falta do monopólio legítimo da violência do estado palestiniano uma amostra (e causa) da pouca consistência do tal estado. Com monopólio da violência por parte do estado, firma-se precisamente a independência, quer dizer, existe o estado. Aliás, uma vez conseguido o estado, há a quem reclamar direitos, que não é pouca coisa. Também no mesmo conflito, e por outro lado, estaria o que acontece com os colonos hebreus, também armados até os dentes e fora do controlo de (porque legitimados em seu dia por) o seu estado. Sem esquecer a questão territorial e o facto de que o estado israelita tenha empregado a violência repetidas vezes em território palestiniano, o que significa de facto a negação do monopólio da violência legítima do estado palestiniano e portanto a negação da soberania do seu povo. Quer dizer, acho que o conflito palestiniano-israelita é um magnífico exemplo do que acontece quando o estado delega (no caso israelita), não consegue (no caso palestiniano) o seu monopólio da violência legítima, ou interfere no de outro (de novo o israelita).

Sem direito a luta não há outro direito, claro, mas é que essa luta é, ou deve ser, contra o próprio estado, de maneira a pressioná-lo para que transforme em realidade os direitos que estão no papel. Bordieu qualificava a luta da cidadania (que não há sem estado, já agora) contra os recortes do estado de bem-estar, como uma questão de civilização contra barbárie. É precisamente isso. O estado, afinal, não deixa de ser o resultado da racionalização de muitas lutas históricas e modernas. A racionalização, digo, portanto o resultado de um processo em que entra em jogo um outro constructo (social) muito importante: o conceito de razão, nascido na mente de não poucos burgueses com vidas sossegadas – e não por acaso. Trata-se, portanto, da criação de uma verdadeira cultura de luta. E eu, entretanto não consigamos criá-la (que há que fazê-lo), acho que prefiro, ainda que não goste, a proliferação de outras saídas como os filmes de Rambo, video-jogos violentos ou o próprio futebol.